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Espaço para divulgação de informação relacionada com a atividade do Centro de Formação
Os filósofos que se dedicam à educação têm-se preocupado com o fenómeno do doutrinamento no ensino, sobretudo por via do currículo e dos manuais escolares. Os alunos, estejam na escolaridade básica ou na secundária, não têm ainda um juízo crítico formado o que os deixa vulneráveis e susceptíveis à persuasão.
Os professores, através do seu poder e autoridade, podem contribuir para tal, impondo crenças ao mesmo tempo que desencorajam o exame, o questionamento, as objecções.
Nem sempre isto acontece de modo consciente e deliberado. Neste caso, talvez o mais frequente, a explicação é que o seu pensamento decorre daquilo que Karl Popper (1975) designou por “senso comum acrítico”. Em qualquer dos casos há o perigo real de os jovens adoptarem também esse tipo de pensamento.
A doutrinação acontece quando as pessoas não adquiriram ou perderam a capacidade de avaliar as ideias com as quais se confrontam, ficando fechados nelas de tal forma que não conseguem ver alternativas. Para contrariar esta tendência e preparar os alunos para as reconhecer e lhes resistir é preciso que os professores tenham uma atitude crítica, que reconheçam o perigo do autoritarismo e do dogmatismo, e estejam permanentemente vigilantes ao seu avanço.
Isto significa, segundo Israel Scheffler (1989) que o seu ensino deve respeitar a integridade intelectual dos alunos, levando-os a desenvolver as capacidades envolvidas na formação de juízos independentes. Para tanto é preciso incentivá-los a avaliar as razões que contestam e as que apoiam as ideias, a escrutinar a credibilidade das fontes, e a resistir aos esforços de controlo do seu pensamento.
Os professores têm de ter muito presente que uma das suas tarefas é levar os alunos a reconhecer que aceitar certas ideias sem as questionar leva-os a fecharem-se num certo modo de pensar, e que no futuro podem confrontar-se com ideias que os farão rever ideias que antes formaram.
Não obstante a importância desta abordagem ela parecer estar muito afastada da formação de professores, talvez porque, diz Chris Arthur (2004), o juízo crítico tem sido afastado das universidades, onde tradicionalmente tinha um lugar privilegiado
Esta dúvida foi suscitada há alguns anos no Reino Unido por John Wilson (1993), que fez notar o facto de os futuros professores estarem a ser usados como "líderes dos fiéis", na “ideologia apropriada”, ao invés de serem incentivados a examinar os discursos educativos. Nos Estados Unidos foi levantada semelhante dúvida a propósito das nas Normas Profissionais (do Conselho Nacional de Acreditação da Formação de Professores - NCATE) que exigem que os professores "conheçam e demonstrem conhecimento do conteúdo e pedagógico, bem como habilidades e disposições necessárias para ajudar todos os alunos a aprender”. Os críticos têm-se referido a esta orientação, que dizem ser uniformizadora, como uma nova ferramenta para impor a conformidade política, na qual, à primeira vista, é difícil detectar o espectro da doutrinação.
A questão que se põe em termos de formação de professores é a seguinte; de que vale os professores adquirirem conhecimentos se não recorrem a eles de modo inteligente e adequado? Ora, os professores devem, precisamente, ser preparados para terem consciência do seu intelecto e um apurado sentido de responsabilidade.
Isto implica levá-los a ter abertura mental para exercerem crítica e para agirem em conformidade com as circunstâncias. Por isso, a ideologia tem de ser afastada da formação de professores. É preocupante que os futuros professores sejam levados a adoptar as crenças dos seus professores.
É preciso deixar bem claro que a propaganda que se faz nas salas de aulas das universidades entrará nas salas de aulas dos outros níveis de ensino.